quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ciência e paradigma segundo Thomas Khun


Ciência e paradigma segundo Thomas Khun

«Segundo Thomas Kuhn, observam-se na história da Ciência dois tipos de fases diferentes, a fase “normal” e a fase “revolucionária”, de acordo com a terminologia deste autor. A ciência normal mantém-se em actividade enquanto todos os que intervêm em determinado campo científico aceitam como verdadeiros o fundo metafísico e os métodos adequados para conduzir à pesquisa científica. Em tais circunstâncias, os cientistas actuam dentro de um “paradigma”, limitando-se a solucionar os problemas definidos por tal paradigma.
Durante a fase revolucionária da Ciência, pelo contrário, os paradigmas de conformidade com que os cientistas trabalharam comodamente até aí começam a perder força, tanto nas mentes como nos métodos da comunidade. A teoria metafísica deixa de se mostrar convincente (os átomos materiais, por exemplo, poderão substituir-se por pressupostos de campos de força); os métodos comuns começam a produzir resultados anómalos e a proporcionar menor número de soluções credíveis para os problemas. A pesquisa científica modelar que esteve na base do paradigma e que, como ideal, constituiu o centro do período normal da Ciência, cessa de dominar a prática da comunidade. Surge assim um novo paradigma.

A mais importante afirmação de Kuhn é a de que a passagem de um paradigma para outro não é explicável nos termos racionalistas da Filosofia da Ciência tradicional, por exemplo, através da refutação experimental de uma consequência pelas teorias anteriores. O ponto de vista para os que operaram em conformidade com o amigo paradigma seria opaco para os que aceitaram o novo, e vice-versa.»

Ron Harré, As Filosofias da Ciência



«Dado que novos paradigmas nascem dos antigos, normalmente incorporam muito do vocabulário e aparato que o paradigma tradicional tinha empregue. Mas eles raramente empregam estes elementos emprestados exactamente no sentido tradicional. Dentro do novo paradigma, velhos termos, conceitos e experiências entram em novas relações entre si. O resultado inevitável é o que devemos chamar um desentendimento entre duas escolas diferentes.

Os leigos que riram da teoria geral da relatividade de Einstein porque o espaço não podia ser «curvo» não estavam simplesmente errados ou enganados. Nem o estavam os matemáticos, físicos e filósofos que tentaram desenvolver uma versão euclidiana [tradicional] da teoria de Einstein. O que se entendia anteriormente por espaço era necessariamente plano, homogéneo e não afectado pela presença de matéria. Se não o tivesse sido, a Física de Newton não teria funcionado.

Para fazer a transição para o universo de Einstein, toda a rede conceptual cujos fios são o espaço, o tempo, a matéria, a força, etc., tinha de ser alterada. A comunicação entre os campos divididos pela linha revolucionária é inevitavelmente parcial. Considere-se, como outro exemplo, os homens que chamaram louco a Copérnico porque ele declarou que a Terra se movia. Eles não estavam simplesmente errados. Parte do que eles queriam dizem com «Terra» era uma posição fixa.

A Terra deles, pelo menos, não podia mover-se. De modo correspondente, a inovação de Copérnico não foi simplesmente fazer a Terra mover-se. Foi, sim, toda uma nova maneira de olhar os problemas da Física e da Astronomia, que necessariamente mudou o sentido tanto de «Terra» como de «movimento». Sem essas mudanças, a ideia de uma Terra em movimento era louca.»

Thomas Kuhn

Os Paradigmas Da Ciência


Os Paradigmas Da Ciência

Paradigma pode ser entendido por um exemplo, um modelo, uma referencia, uma diretriz, um parâmetro, um rumo, uma estrutura, ou ate mesmo ideal. Algo digno de ser seguido. Podemos dizer que um paradigma é a percepção geral e comum - não necessariamente a melhor - de se ver determinada coisa, seja um objeto, seja um fenômeno, seja um conjunto de idéias. Ao mesmo tempo, ao ser aceito, um paradigma serve como critério de verdade e de validação e reconhecimento nos meios onde é adotado. Foi o físico Thomas Khun que o utilizou como um termo científico em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, publicado em 1962.
Definimos paradigma como uma matriz disciplinar que sustenta uma concepção de mundo numa determinada época. Um paradigma possui um modelo de racionalidade no qual se incluem todas as esferas, quer científicas, filosóficas, teológicas, ou de senso comum.
Segundo o físico Thomas Khun (1996, p. 121) a palavra paradigma pode ser entendida como uma concepção de mundo:
Paradigma pretende sugerir que "certos exemplos da prática científica atual - tanto na teoria quanto na aplicação - estão ligados a modelos conceptuais de mundo dos quais surgem certas tradições de pesquisa". Em outras palavras, uma visão de realidade atrelada a uma estrutura teórica a priorística, aceita, estabelece uma forma de compreender e interpretar intelectualmente o mundo segundo os princípios constantes do paradigma em vigor.
A ciência já foi dominada pelo pensamento geocêntrico de Ptolomeu, que estabeleceu toda uma produção intelectual coerente com a visão de mundo deste paradigma que estabelecia a terra era o centro do universo. Portanto, quem afirmasse algo como "a Terra é apenas um dentre milhões de outros planetas, e nem mesmo é o mais significativo deles" estaria fadado a ser considerado louco, ignorante ou algo parecido. Posteriormente, observações demonstraram que esta visão era falha e foi sendo substituída - após intensa e violenta resistência dos sábios que defendiam o antigo paradigma - pelo sistema heliocêntrico de Copérnico.
Vivemos hoje sob a crise do paradigma moderno, o qual nasceu com a Ciência Moderna que determinou o modo de ser e agir do ser humano contemporâneo. De maneira larga podemos afirmar que o paradigma moderno, hoje em crise, começou a tomar vulto com o italiano Galileu quando fez os primeiros experimentos que deram origem à racionalidade cientificista que temos atualmente. Imediatamente, na Filosofia, soma com Galileu o francês Descartes e Francis Bacon na Inglaterra. Antes deste modelo, a matriz disciplinar ocidental era da Teologia no período da Idade Média que remetia ao transcendente e à metafísica a explicação de tudo.
Este modelo, porém, foi percebido como imperfeito pelos avanços em astronomia e foi aperfeiçoado pelas descobertas da gravitação universal da física newtoniana; esta, por sua vez, foi drasticamente remodelada, já no século XX, pela Mecânica Quântica e pela Teoria da Relatividade, não sem uma forte resistência de inúmeros doutores e acadêmicos formados na cartilha clássica de Newton e seguidores e sua sólida visão mecanicista da natureza.
Cada uma dessas fases do pensamento científico foi bem sucedida em determinados períodos de tempo. Dando novas perspectivas para a compreensão da realidade física, condicionavam a atitude científica e estabeleciam quais seriam os critérios de pesquisa, freqüentemente ligados à maneira como se esperava que o mundo devesse funcionar de acordo com o modelo (paradigma) adotado.
Fica claro que a ciência não é um processo de descoberta, em sentido estrito, de uma realidade dada, porém parece ser mais um processo de construção intelectualmente coerente para explicar certos fenômenos ou em outras palavras, a ciência se constrói em cima de alguns fundamentos filosóficos bem definidos, mesmo que não sejam muito conscientes, atualmente no mecanicismo, no reducionismo.
Um novo paradigma precisa ser construído para a ciência, para a educação, para a tecnologia e para a sociedade. A fragmentação é viável e aceitável na medida em que a mesma pense no todo, porem não é isto que esta acontecendo tanto no meio cientifico como no social, cultural e político.



Autor : Robson Stigar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nelson Mandela exemplo de lider




Nelson Rolihlahla Mandela  importante líder político da África do Sul, que lutou contra o sistema de apartheid no país. Nasceu em 18 de julho de 1918 na cidade de Qunu (África do Sul). Mandela, formado em direito, foi presidente da África do Sul entre os anos de 1994 e 1999. 
Luta contra o apartheid

O apartheid, que significa "vida separada", era o regime de segregação racial existente na África do Sul, que obrigava os negros a viverem separados. Os brancos controlavam o poder, enquanto o restante da população não gozava de vários direitos políticos, econômicos e sociais.

Ainda estudante de Direito, Mandela começou sua luta contra o regime do apartheid. No ano de 1942, entrou efetivamente para a oposição, ingressando no Congresso Nacional Africano (movimento contra o apartheid). Em 1944, participou da fundação, junto com Oliver Tambo e Walter Sisulu, da Liga Jovem do CNA.

Durante toda a década de 1950, Nelson Mandela foi um dos principais membros do movimento anti-apartheid. Participou da divulgação da “Carta da Liberdade”, em 1955, documento pelo qual defendiam um programa para o fim do regime segregacionista.

Mandela sempre defendeu a luta pacífica contra o apartheid. Porém, sua opinião mudou em 21 de marco de 1960. Neste dia, policiais sul-africanos atiraram contra manifestante negros, matando 69 pessoas. Este dia, conhecido como “O Massacre de Sharpeville”, fez com que Mandela passasse a defender a luta armada contra o sistema.

Em 1961, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, conhecido como "Lança da Nação". Passou a buscar ajuda financeira internacional para financiar a luta. Porém, em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas.

Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990. Neste 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Neste período de prisão, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo.

Com o aumento das pressões internacionais, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk solicitou, em 11 de fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela e a retirada da ilegalidade do CNA (Congresso Nacional Africano). Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.

Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou o país até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.

Com o fim do mandato de presidente, Mandela afastou-se da política dedicando-se a causas de várias organizações sociais em prol dos direito humanos. Já recebeu diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais.
Algumas frases de Nelson Mandela

- "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."
- "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."
- "Não há caminho fácil para a Liberdade."
- "A queda da opressão foi sancionada pela humanidade, e é a maior aspiração de cada homem livre."
- "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias."
- "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo." 
Dia Internacional de Nelson Mandela
- A partir de 2010, será celebrado em 18 de julho de cada ano o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.
Livros (obras principais):
- Nelson Mandela - A Luta da Minha vida (1989) - autobiografia
- Conversas que tive comigo (2010)
- Vencer é Possível (1998)